A Zona Sul não é o fim do Brasil. É o começo de uma nova história.
A Região Sul do Rio Grande do Sul, compreendida pelo COREDE Sul, é a quarta unidade regional mais populosa do Estado e detém centralidade absoluta para a logística do Mercosul. A região é dotada de infraestrutura natural singular: a hidrovia da Lagoa Mirim–Lagoa dos Patos e o complexo portuário de Rio Grande servem como portais de escoamento para a produção do Cone Sul.
Historicamente, a economia regional sustenta-se no vigor do agronegócio — orizicultura, soja e pecuária — além de um parque industrial voltado à alimentação e um setor de serviços robusto, ancorado no polo educacional de Pelotas e no polo naval de Rio Grande.
Contudo, a região enfrenta desafios estruturais: baixo dinamismo industrial, dependência excessiva de commodities, defasagem na infraestrutura logística, déficit em saneamento básico e êxodo de jovens qualificados. O Plano Estratégico de Desenvolvimento Regional (PED 2023–2030) do COREDE Sul aponta eixos prioritários para a reversão do quadro de estagnação.
A ALM possui trajetória vinculada à extinção da SUDESUL. Por meio do Decreto nº 1.148/1994, seu acervo técnico-científico foi transferido à UFPel, incluindo a Barragem-Eclusa do Canal São Gonçalo — fundamental para impedir a salinização da Lagoa Mirim — e o Distrito de Irrigação do Chasqueiro.
A proposta é transformar a ALM em uma Agência de Desenvolvimento vinculada ao MIDR, dotada de personalidade jurídica e autonomia financeira. A UFPel será mantida como parceira estratégica por Termo de Cooperação Técnica.
O novo Conselho Deliberativo será tripartite e federativo: União, Estado, municípios do COREDE Sul, setor produtivo, universidades e observadores uruguaios. O mandato ampliado incluirá hidrovia, saneamento, adaptação climática e captação de investimentos.
A Bacia de Pelotas emergiu como nova fronteira exploratória de petróleo e gás. A aquisição de blocos pela Petrobras em 2023 e a confirmação de Pelotas como base logística, com prospecção prevista para 2028, colocam a região no mapa global da energia.
As estimativas de até 15 bilhões de barris referem-se ao potencial geológico teórico, não a reservas provadas. A prudência na gestão das expectativas é fundamental para evitar a "doença holandesa".
A estratégia territorial deve focar na preparação da infraestrutura urbana e na qualificação da mão de obra local, garantindo que o território herde competências tecnológicas permanentes, independentemente do volume final de extração.
Propõe-se a criação de uma Frente Parlamentar Mista em Defesa da Zona Sul e da Integração Brasil–Uruguai no Congresso Nacional, para pautar o orçamento federal e monitorar projetos estratégicos.
Complementarmente, o Fórum Permanente Zona Sul–Uruguai realizará reuniões semestrais alternadas entre Pelotas e Montevidéu, com agenda focada em resultados concretos:
A meta é transformar a fronteira de barreira burocrática em corredor de eficiência logística e cooperação social.
É imperativo estabelecer um Comitê Regional de Acompanhamento, composto por entes públicos, Petrobras, ANP e universidades, para garantir transparência no licenciamento ambiental e social.
A qualificação profissional é o pilar central. Propõe-se um programa regional de formação técnica e superior integrando IFSul, UFPel, UCPEL, FURG e SENAI, focado em engenharia de petróleo, logística portuária e gestão ambiental.
Por fim, a criação do Fundo de Desenvolvimento da Zona Sul captará royalties e participações especiais, com aplicação vinculada à diversificação produtiva e à transição energética. O conselho de aplicação contará com participação social paritária.
Este projeto não pertence a um homem, mas a todos que acreditam que o Rio Grande do Sul pode mais. É hora de ocupar os espaços políticos com seriedade, coragem e esperança.
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